quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Clube apresenta estádio, ignora Copa e projeta lucro de R$ 100 mi anuais Direção promete não colocar dinheiro para ampliar arena e já faz contas sobre


Andres Sanches na coletiva sobre o estádio do CorinthiansAndrés Sanches (esquerda) na coletiva (Foto:
Carlos Augusto Ferrari / GLOBOESPORTE.COM)

A diretoria do Corinthians apresentou oficialmente nesta manhã de quarta-feira, no Parque São Jorge, o projeto para a construção do estádio em Itaquera, Zona Leste de São Paulo. O clube voltou a prometer que não gastará um centavo para que a abertura da Copa do Mundo seja realizada no local e projetou a arrecadação de mais de R$ 100 milhões por ano com a “casa alvinegra”. Arquiteto e construtora divergem sobre o tempo para a conclusão da obra.

- O projeto nunca cogitou Copa. Na maior parte do tempo, a solução natural era o Morumbi, com apoio do Corinthians. De repente, o Corinthians se transforma na opção. Isso caiu como um meteorito. Não tenho dinheiro e nem vou tomar empréstimo para fazer o estádio da Copa. Os interessados em transformar o estádio na abertura saibam que vamos nos empenhar, mas temos que sentar e conversar. O Corinthians não vai botar um vintém - afirmou o diretor de marketing Luiz Paulo Rosenberg.

O estádio custará R$ 335 milhões. O dinheiro será emprestado pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) via Odebrecht, construtora responsável pela obra, que terá um lucro em cima da construção. Nos cálculos dos dirigentes, o nome da arena (naming rights) vale aproximadamente R$ 35 milhões. Outros R$ 100 milhões seriam arrecadados com o aluguel de camarotes, cadeiras, restaurantes e estacionamentos.

- O marketing do Corinthians vai vender o nome. Nem Cristo é capaz de dizer quanto vale o nome do Corinthians. Quem diria que nossa camisa valeria mais que a do Milan? Tudo vai depender do charme do estádio, como vai ser recebido e como será o Corinthians depois de pronto. Claro que vai ser uma coisa se ganhar a Taça São Paulo e outra se chegarmos à final em Abu Dabi. Se nós transformarmos o estádio em romaria, acho que teremos a receita. Quero transformá-lo em uma Meca - acrescentou.

Com dívidas de R$ 100 milhões, o Corinthians quer evitar que ações trabalhistas ou outros problemas judiciais travem o andamento das obras. Para isso, criará uma empresa que será responsável pelo gerenciamento do dinheiro oriundo do financiamento.

Maquete Estádio CorinthiansMaquete do estádio do Corinthians (Foto: Divulgação)

- O estádio vai ser pilotado por uma empresa separada do Corinthians. Ela não herda passivos ficais e trabalhistas. Não tem nada a ver com o jardineiro que pode ter uma ação. Ela nasce limpa e é nossa 100%. Se nós não arrecadarmos o dinheiro para pagar as parcelas, a empresa entra e assume o compromisso - explicou Rosenberg.

Para cumprir as exigências da Fifa e aumentar o estádio para 60 mil lugares ou mais, o arquiteto Aníbal Coutinho admite a possibilidade de construir arquibancadas provisórias. Entretanto, ainda quer discutir a possibilidade com as partes envolvidas na obra.

- A ampliação provisória é permitida e custa a mesma coisa que a definitiva. A questão é: você vai querer ficar com o estádio maior e pagar a manutenção para encher apenas quatro vezes por ano? Tem que ver o que você agrega, se é vantajoso, a limpeza, a segurança, a iluminação. É uma conta que precisa ser feita. Não consigo responder agora. Tem que ser em conjunto – afirmou.

Arquiteto e construtora, contudo, divergem apenas no tempo para a entrega do estádio. Coutinho entende que a obra pode estar pronta em até um ano. Já Carlos Armando Paschoal, diretor-superintendente da Odebrecht, entende que a construção precisará de mais tempo para ser concluída.

- Acredito que os próximos quatro meses é um prazo bom para ter a engenharia. Não sou tão otimista quanto ao arquiteto. Eu estaria em 24 meses ou mais - ressaltou.

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